ACADEMIA MAÇÔNICA DE LETRAS DE MATO GROSSO DO SUL

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A Contribuição e o vigor na obra de Hipólito da Costa Patrono da AMLMS

November 2, 2018

HIPÓLITO JOSÉ DA COSTA PEREIRA FURTADO DE MENDONÇA (HIPÓLITO DA COSTA

 

Título 2Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, jornalista, diplomata e maçom, nasceu em 13 de agosto de 1774, em  Colônia do Sacramento, Império Português, hoje Uruguai, e morreu em 11 de setembro de 1823, aos 49 anos de idade, em Londres, no Reino Unido. De nacionalidade portuguesa e, posteriormente, brasileira, foi jornalista e é patrono da cadeira 17 da Academia Brasileira de Letras.
Filho de Félix da Costa Furtado de Mendonça, alferes de ordenanças da Capitania do Rio de Janeiro, e de Ana Josefa Pereira, natural de Sacramento. Após Sacramento ser devolvido à Coroa Espanhola em 1777, sua família instalou-se em Pelotas, no Rio Grande do Sul, onde passou a sua adolescência. Fez os seus primeiros estudos em Porto Alegre, concluídos em Portugal, na Universidade de Coimbra, onde se formou em Leis, Filosofia e Matemática (1798). Recém-formado, foi enviado como diplomata pela Coroa Portuguesa aos Estados Unidos e ao México, para onde embarcou em 16 de outubro de 1798, com a tarefa de conhecer a economia destes dois países e as novas técnicas industriais aplicadas pelos norte-americanos. Viveu nos Estados Unidos por dois anos onde, em Filadélfia, veio a ingressar na maçonaria, o que influenciou a sua vida posterior. De volta ao reino, viajou a serviço da Coroa Portuguesa para Londres em 1802, com o objetivo declarado de adquirir obras para a Real Biblioteca e maquinário para a Imprensa Régia. Ocultamente, entretanto, um de seus motivos era também de estabelecer contatos entre as lojas maçônicas portuguesas e o Grande Oriente em Londres.
Foi detido pela Inquisição três ou quatro dias após o seu retorno ao reino por ordem de Diogo Inácio de Pina Manique, sob a acusação de disseminar as ideias maçônicas na Europa. Encaminhado às celas do Tribunal do Santo Ofício, onde permaneceu até 1805, logrou evadir-se para a Espanha sob um disfarce de criado, com o auxílio dos seus irmãos maçons. De lá passou para a Grã-Bretanha, onde se exilou sob a proteção do príncipe
Augusto Frederico, duque de Sussex, o sexto filho de Jorge III do Reino Unido e grão-mestre da maçonaria inglesa.
Na Inglaterra, obtêm a nacionalidade inglesa com a ajuda do duque de Essex, adquirindo ações do Banco da Escócia, o que imediatamente lhe outorgava tal direito. Casa em 1817 com Mary Ann Troughton da Costa, com quem tem 3 filhos, além de já ter tido um filho com Mary Anne Lyons ou Symons.
Obteve a condição de estrangeiro naturalizado, um estrangeiro residente com alguns direitos políticos. De Londres passou a editar regularmente aquele que é considerado o primeiro jornal brasileiro: o Correio Braziliense ou Armazém Literário, que circulou de 1 de junho de 1808 a 1823 (teve 175 exemplares editados e reunidos em 29 volumes, no total).
Com esse veículo, passou a defender as ideias liberais, entre as quais as de emancipação colonial, dando ampla cobertura à Revolução Liberal do Porto de 1820 e aos acontecimentos de 1821 e de 1822 que conduziriam à Independência do Brasil. Seu principal inimigo era Bernardo José de Abrantes e Castro, conde do Funchal, embaixador de Portugal em Londres, que chamou ao Correio: "Esta terrível invenção de um jornal português na Inglaterra", vindo a editar um periódico contra ele, que circularia até 1819 (O Investigador Portuguez em Inglaterra).
Em 1812 fez um acordo secreto com a Coroa Portuguesa, que previa a compra de um determinado número de exemplares do jornal e um subsídio para o próprio jornalista, em troca de moderação nas suas críticas contra a monarquia.
Morreu em 1823, sem chegar a saber que fora nomeado cônsul do Império do Brasil em Londres. No Brasil é considerado o patrono da imprensa. Em Porto Alegre, foi homenageado emprestando seu nome ao Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa. Estava sepultado em St. Mary the Virgin, em Hurley, condado de Berkshire, mas em 2001 seus restos mortais foram trasladados para Brasília. Atualmente seus restos mortais estão nos Jardins do Museu da Imprensa Nacional.
Seu irmão, José Saturnino da Costa Pereira, foi Senador do Império do Brasil e Ministro da Guerra.
Obras - 1798-1799: Diário de minha viagem para Filadélfia (publicado postumamente em 1955); 1800: Descripção da arvore assucareira, e da sua utilidade e cultura (Lisboa); 1800: Descripção de huma maquina para tocar a bomba á bordo dos navios sem o trabalho de homens (Lisboa); 1808-1822: Correio Braziliense (Londres); 1809: História de Portugal (Londres); 1811: Narrativa da perseguição de Hippolyto Joseph da Costa Pereira Furtado de Mendonça, um nativo de Colônia de Sacramento, no Rio da Prata; prezo, e processado em Lisboa pelo pretenso crime de framaçon ou pedreiro livre (Londres); 1811: Nova gramática portuguesa e inglesa (Londres); 1820: Sketch for the History of the Dionysian Artificers (Londres); 1863: Cartas sobre a franco-maçonaria (Amsterdã); 1955: Copiador e registro das cartas dirigidas a d. Rodrigo de Sousa Coutinho (Rio de Janeiro); 1992: O Amor d'Estranja, peça de teatro (Lisboa).
Traduções - 1801: Ensayos politicos, economicos e philosophicos, de Benjamin Thompson, Conde de Rumford, (Lisboa); 1801: Historia breve e authentica do Banco de Inglaterra, de T.Fortune, (Lisboa); 1801: Memoria sobre a bronchocele, ou papo da America septentriona, de Benjamin Smith Barton, (Lisboa).

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